GNSS e GPS: qual a diferença na prática
Por Marcos Carvalho Rosa, engenheiro civil · 25/10/2026
GNSS e GPS não são a mesma coisa, mesmo que o uso no dia a dia misture os dois termos. GPS é o sistema de satélites dos Estados Unidos, operacional desde 1995. GNSS é o nome que reúne todos os sistemas de navegação por satélite do mundo, incluindo o GPS. Ou seja: todo GPS é GNSS, mas nem todo GNSS é GPS.
O que é GPS
O GPS, sigla de Global Positioning System, é o sistema de satélites dos Estados Unidos, operacional desde 1995, segundo as especificações do IBGE para levantamentos geodésicos. O compromisso oficial do sistema, conforme o GPS.gov, é manter pelo menos 24 satélites operacionais em órbita por 95% do tempo. Foi o primeiro sistema de posicionamento por satélite usado em larga escala, e por isso o nome GPS virou sinônimo de qualquer receptor de satélite no vocabulário de campo.
O que é GNSS
GNSS, sigla de Global Navigation Satellite System, é o nome que engloba todos os sistemas de posicionamento por satélite em operação. Segundo a NASA, o GPS americano é apenas um tipo de GNSS. Fazem parte do conjunto o GLONASS russo, o Galileo europeu e o BeiDou chinês. Cada um desses sistemas tem sua própria constelação de satélites, mas todos cumprem a mesma função: fornecer posição, velocidade e tempo a um receptor na superfície.
Não confunda: GPS é uma parte, GNSS é o todo
A relação entre os dois termos é de parte para o todo. O GPS é uma das constelações que compõem o GNSS. GLONASS, Galileo e BeiDou são as outras. Quando alguém fala "liguei o GPS" para se referir a qualquer receptor de satélite, está usando o nome de uma parte para representar o conjunto inteiro.
O que isso muda no seu levantamento
A diferença aparece na hora de processar os dados. As estações da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS, a RBMC, podem disponibilizar observáveis de GPS, GLONASS e Galileo, dependendo do receptor que gerou os dados. Já o serviço IBGE-PPP, usado para pós-processamento, trabalha apenas com dados das constelações GPS e GLONASS. Quanto mais constelações o seu receptor capta e mais o serviço de pós-processamento aproveita, mais observações entram no cálculo, o que normalmente significa mais satélites visíveis ao mesmo tempo em campo.
Saber qual constelação o seu equipamento rastreia e qual o serviço de pós-processamento aceita evita surpresa na hora de validar um levantamento, principalmente em área com obstrução de sinal.
Fontes
Do ponto levantado à planta, ao memorial e à planilha do SIGEF
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