Área medida no Google Earth vale para o projeto
Por Marcos Carvalho Rosa, engenheiro civil · 26/10/2026
A área que você mede clicando no Google Earth não serve para o projeto de georreferenciamento. Ela funciona como estudo preliminar, uma ideia rápida de tamanho e formato do imóvel, mas não substitui a medição técnica exigida para gerar documento.
Por que a imagem do Google Earth desloca
As imagens de satélite do Google Earth apresentam deslocamento em relação às posições de referência. Um estudo feito em Pernambuco mediu esse deslocamento na prática: o erro posicional ficou em 1,26 metro na área urbana e chegou a 4,65 metros na área rural. Isso significa que, só de olhar e clicar na tela, você já carrega esse erro para dentro do cálculo de área.
Não confunda: estudo preliminar x documento de georreferenciamento
Estudo preliminar é a etapa em que você quer entender o tamanho aproximado do imóvel, verificar confrontantes e pensar no acesso antes de ir a campo. Para isso, a imagem de satélite ajuda.
Documento de georreferenciamento é outra história. Ali entram vértices com coordenadas que respondem a uma norma de precisão. A Norma Técnica do INCRA para georreferenciamento de imóveis rurais exige precisão posicional melhor ou igual a 0,50 metro para vértices situados em limites artificiais. Clique na tela de satélite não chega perto desse padrão.
A precisão que o INCRA exige em cada tipo de limite
Nem todo vértice pede o mesmo rigor. A norma do INCRA estabelece padrões diferentes conforme o tipo de limite:
Limite artificial: precisão melhor ou igual a 0,50 metro.
Limite natural: padrão de 3,00 metros.
Limite inacessível: padrão de 7,50 metros.
Mesmo no padrão mais tolerante, o erro medido no estudo de Pernambuco, de 4,65 metros na área rural, já estoura a margem permitida para limite natural na maioria dos casos. Por isso a imagem de satélite sozinha não cobre nem o padrão mais flexível da norma.
Base cartográfica entra, mas não em todo vértice
O manual técnico do INCRA/SIGEF permite o uso de base cartográfica no levantamento, respeitando a precisão exigida para cada tipo de limite. O que não é permitido é usar base cartográfica para posicionar o vértice tipo M, o marco. Nesses pontos, a medição é direta, feita em campo, com o equipamento adequado para alcançar a precisão da norma.
Como a área do imóvel é realmente calculada
O manual técnico do INCRA é claro quanto a isso: o cálculo de área deve ser feito com base nas coordenadas referenciadas ao Sistema Geodésico Local, e não em cima do mosaico de imagem que aparece na tela. A área que sai no memorial descritivo vem desse cálculo com coordenadas, não do polígono desenhado sobre a foto de satélite.
Entender essa diferença evita retrabalho: um estudo feito só com imagem de satélite pode te dar um número de área completamente fora do que vai constar no documento final entregue ao INCRA.
Fontes
- Norma Técnica para Georreferenciamento de Imóveis Rurais, 3ª Edição (INCRA/SIGEF)
- Manual Técnico para o Georreferenciamento de Imóveis Rurais, 2ª Edição (INCRA/SIGEF)
- Manual Técnico de Posicionamento (INCRA/SIGEF)
- Avaliação da acurácia planimétrica de imagens Google Earth numa zona urbana e rural, Pernambuco (Revista Cartográfica)
- Avaliação da acurácia planimétrica das imagens do Google Earth para produção de base cartográfica (Revista Brasileira de Cartografia)
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Conversor de coordenadas →Do ponto levantado à planta, ao memorial e à planilha do SIGEF
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